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Semeadeiras: formação em agroecologia e segurança alimentar e nutricional

Desenvolvida para mulheres pretas e pardas, a formação  SEMEADEIRAS na Ilha de Cotijuba, em Belém, é uma parceria do Centro Brasileiro de Justiça Climática com o Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB), Coletivo MiriPalmares Laboratório-Ação.

No coração da Amazônia, um novo movimento ganha vida. É o “Semeadeiras: formação com mulheres negras em Agroecologia e Segurança Alimentar e Nutricional”. Um encontro presencial, realizado nos dias 02, 03 e 04 de setembro de 2024, que promete formação em educação climática e troca de conhecimentos voltado exclusivamente para mulheres negras que já atuam ou desejam atuar nas áreas de agroecologia e segurança alimentar e nutricional, na Ilha de Cotijuba, em Belém – PA. 

Conhecida por suas praias e forte potencial turístico, a ilha paraense passa por diversos desafios sociais relacionados à crise climática. Nesse cenário, as mulheres da região se destacam enquanto autoras de soluções baseadas na natureza, usando seus quintais produtivos como fortaleza da soberania alimentar. Muitas trabalham em serviços terceirizados como transporte, gastronomia, hotelaria, educação, saúde. Então, a comunidade vive do turismo de massa. O MMIB tenta implementar o turismo de base comunitária, mais consciente, com protagonismo local e, agora, a formação Semeadeiras chega para fortalecer esses projetos.

“A Ilha de Cotijuba tem cerca de 8 mil habitantes, mas chega a 30 mil em período de pico do turismo. Minha expectativa quanto à formação Semeadeiras é enorme porque os temas são pertinentes, será um encontro só de mulheres, uma imersão presencial de três dias conversando, trocando experiência, se fortalecendo. O fato dos encontros serem dentro da associação MMIB evidencia para as mulheres das ilhas o quanto precisamos estar unidas, porque é no coletivo que nos fortalecemos enquanto mulheres. Além disso, como ano que vem teremos a COP 30,  vamos já introduzir e compartilhar conhecimento sobre clima, economia circular, falta de segurança jurídica quanto aos territórios da população nativa, falta de financiamento para as atividades produtivas e a especulação imobiliária, que reduz as áreas destinadas ao cultivo. Estamos muito felizes com esse acontecimento aqui na ilha!”

Adriana Lima
Fundadora do Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB)

Pensando nisso, a formação Semeadeiras abordará três temas-chaves:

  1. Regularização fundiária: assegurar territórios para a contenção da crise climática;
  2. Financiamento para a agroecologia e agricultura familiar: como fazer com que o dinheiro chegue nas terras das produtoras da justiça climática;
  3. Quintais produtivos e economia circular: o futuro da soberania alimentar pós- COP 30.


E por que essas narrativas? Mais do que um modelo de agricultura baseado em conhecimentos ancestrais de interação com a natureza, a agroecologia é o caminho para responder à crescente devastação do meio ambiente.

É com muita honra que estamos realizando a nossa primeira formação do eixo educação climática. Tratar sobre agroecologia e segurança alimentar e nutricional é importantíssimo, principalmente pela necessidade da construção e fortalecimento de sistemas alimentares sustentáveis para uma transição climática justa e popular. Discutir esse tema em Belém, capital da COP 30, com mulheres negras, em uma ilha amazônica, como Cotijuba, só foi possível graças aos nossos parceiros Palmares Lab, Coletivo Miri e Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém, organizações que já realizam trabalhos potentes na região. Também agradeço muito a nossa fellow, Waleska Queiroz, da Rede Jandyras, pela ajuda na concepção da formação. Essa é uma construção coletiva”

Andreia Coutinho
Jornalista, ativista e diretora executiva do CBJC

Por que uma formação exclusiva para mulheres negras?

Para nós, a resposta é óbvia. Mulheres negras têm sido, historicamente, guardiãs da ancestralidade e da cultura alimentar em suas comunidades. No entanto, enfrentam uma série de desafios, incluindo a falta de segurança jurídica em relação aos seus territórios e a dificuldade de acesso a financiamentos para suas atividades produtivas. 

O Semeadeiras é uma resposta direta a essas questões, oferecendo uma formação que não só empodera, mas também equipa essas mulheres para se tornarem líderes em suas comunidades.

“Vamos levar educação popular em clima e raça para mulheres negras da Ilha de Cotijuba, ao mesmo tempo que vamos fortalecer o empreendedorismo feminino local, visto que a maioria dos produtos que adquirimos são do território, provenientes da agroecologia. Além disso, será uma potente troca de saberes entre mulheres negras, o que fortalece o debate racial na região. Estou animada com os frutos que colheremos no pós-formação”

Anne Heloise
Jurista, pesquisadora e coordenadora de educação climática do CBJC

PROGRAMAÇÃO 

Dia 02 de setembro de 2024
Regularização fundiária: assegurar territórios para a contenção da crise climática
9hChegança
13h05Almoço
14h05Dinâmica de grupo
17hFinalização
Dia 03 de setembro de 2024
Financiamento para a agroecologia e agricultura familiar: como fazer com que o dinheiro chegue nas terras das produtoras da justiça climática
9hChegança
13h05Almoço
14h05Dinâmica de grupo
17hFinalização
Dia 04 de setembro de 2024
Quintais produtivos e economia circular: o futuro da soberania alimentar pós-COP 30
9hChegança
13h05Almoço
14h05Dinâmica de grupo
18hFinalização

COMO PARTICIPAR?

Serão selecionadas 25 mulheres negras, sendo 15 delas militantes do Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém. Esta formação é destinada, prioritariamente, para as mulheres negras moradoras da Ilha de Cotijuba. Todas receberão apoio para transporte e alimentação e acesso ao espaço kids, garantindo que todas possam se dedicar integralmente à formação. 

Além disso, haverá uma reunião preparatória online em 26 de agosto de 2024, para iniciar a interação do grupo. Para completar o ciclo formativo, as formandas deverão  apresentar um plano de ação em incidência política baseado nos tópicos abordados pela atividade. Essa apresentação deve ocorrer em 04/10/2024 (um mês após o término da formação).

PRÉ-REQUISITOS

  1. Ser mulher negra (preta ou parda).
  2. Ter pelo menos 16 anos na data da realização da formação..
  3. Exercer atividades relacionadas com o tema da agroecologia e da segurança alimentar e nutricional.
  4. Comprometer-se em comparecer às aulas presenciais, em 02, 03 e 04 de setembro de 2024, e online, em 26/08/2024.
    ↳ Obrigatório!
  5. Comprometer-se em participar da elaboração e apresentação do plano de ação em incidência política, em 04/10/2024.
    ↳ Obrigatório!

✊🏿✨ NÓS TEMOS UM SONHO! VOCÊ TAMBÉM✊🏿✨

Sobre o CBJC: o Centro Brasileiro de Justiça Climática é uma organização nacional da sociedade civil dedicada às temáticas da população negra na agenda climática do Brasil. Tem como missão ampliar o debate público e influenciar políticas públicas de justiça climática e equidade racial a nível local, regional e nacional.
📱 www.cbjc.com.br | @CBJC_br

Sobre o MMIB: o Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém é uma associação sem fins lucrativos, localizada na Ilha de Cotijuba, em Belém (Pará) e com atuação de outras ilhas, como: Nova, Urubuóca, Paquetá e Jutuba. Tem como principais objetivos atividades para contribuição de geração de renda, organização comunitária, aumento do nível de escolaridade das mulheres, preservação do meio ambiente, assim como sua defesa, luta por bens e direitos de valor artístico e estético, histórico, turístico e paisagístico entre outros visando a proteção de direitos e interesses de suas associadas.

📱 @mmib.21

Sobre o Palmares Laboratório-Ação: uma think and DO tank, criada e gerida por jovens, dedicada a desenvolver tecnologias que promovam a justiça social e criem novas realidades de mundo. Trabalha para enfrentar a crise climática local e  globalmente, e para transformar a vida das juventudes negras e indígenas através da tecnologia e ação.

📱 @palmares_lab

Sobre o Coletivo Miri: Um coletivo de jovens insatisfeitos, criativos e esperançosos da Agrovila Itaqui, em Castanhal – PA,  que desde 2016 atua no ativismo socioambiental e cultural com enfoque territorial em comunidades rurais e periféricas da Amazônia paraense. Acreditamos que para alcançar uma sociedade do bem viver é preciso fortalecer e defender o território e as pessoas que nele vivem. Por isso, co-criamos estratégias de educação socioambiental, mobilização, pesquisa e incidência política, potencializando o debate homem-natureza na construção de um movimento de garantia de direitos e autonomia comunitária.

📱 @coletivomiri

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Nos dedicamos exclusivamente às temáticas da população negra na agenda climática do Brasil

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