FIQUE POR DENTRO

MUDAR ENQUANTO
HÁ CLIMA

Quilombolas do Sudeste se preparam para a COP30: nova formação promove liderança feminina

A segunda etapa da formação, promovida pelo Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC) em parceria com a CONAQ, chega ao Quilombo Cafundá Astrogilda, no Rio de Janeiro

Foto: Stefan Costa

Estão abertas as inscrições para a formação “Mulheres Quilombolas Rumo à COP30”, que ocorrerá de 2 a 4 de abril, no Quilombo Cafundá Astrogilda, na zona oeste do Rio de Janeiro, com foco em educação climática e políticas internacionais. A atividade, destinada a mulheres quilombolas do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, visa fortalecê-las para contribuir na Conferência do Clima das Nações Unidas (ONU), que será realizada no Brasil, em Belém, este ano. São 21 vagas disponíveis. As inscrições vão até 10 de março e podem ser feitas por meio de formulário eletrônico

“Nosso principal objetivo é preparar as mulheres quilombolas, que já fazem trabalhos na área  ambiental, ao contexto do clima e das negociações internacionais, a fim de que elas exerçam o papel fundamental na defesa da natureza no âmbito da COP, que será realizada no Brasil neste ano”, aponta Anne Heloíse, coordenadora de Educação Climática, do CBJC.

Foto: Stefan Costa

A COP 30, apelidada como a “COP da Amazônia”, será um marco importante para o Brasil e para o mundo, pois proporcionará uma plataforma única para discutir e implementar soluções para a crise climática. Realizada no coração da Amazônia, a COP30 trará à tona a urgência de atenuar as violações de direitos humanos ocasionadas pelas mudanças climáticas ao redor do globo. Nesse sentido, as populações tradicionais são as que mais conhecem e protegem seus territórios, cuja preservação é fundamental para o combate à crise climática . O fato do evento  ocorrer este ano no Brasil, é uma oportunidade histórica para incluir essas comunidades na discussão global sobre mudanças climáticas, permitindo que suas vozes e demandas sejam ouvidas em um momento crucial para a preservação ambiental e a justiça social. A presença das comunidades tradicionais nos debates estratégicos  será essencial para assegurar que as soluções propostas para o enfrentamento da crise climática considerem a importância das práticas de conservação e o respeito pelos saberes ancestrais que essas populações mantêm ao longo dos séculos, principalmente por meio de uma rede feminina que se esforça para isso.

“Mulheres Quilombolas Rumo à COP30” é uma ação educacional realizada pelo Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC), em parceria com a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), e reunirá representantes das  cinco regiões do país. Esta formação, já ocorreu na região Nordeste, no Quilombo de Estivas, no agreste pernambucano, promovendo vivências no território e atividades culturais de integração. 

Segundo Anne, “a grande oportunidade da COP 30 para o Brasil vai ser a democratização deste espaço ao povo brasileiro, o qual costuma a estar bem distante deste processo, visto que as duas últimas edições do evento foram realizadas em Baku, Azerbaijão (2024), e Dubai, Emirados Árabes (2023). Para além da democratização, temos também a possibilidade da incidência. Para estar em um lugar como este, é importante que as pessoas estejam preparadas para discutir os assuntos que serão abordados. No CBJC, entendemos a histórica contribuição de mulheres quilombolas para a atenuação da crise climática, logo desejamos que elas estejam presentes e tenham uma atuação efetiva, de modo que consigam levar suas demandas para mais este espaço de luta e disputa política.”

Foto: Stefan Costa

O Quilombo Cafundá Astrogilda

Localizado na zona oeste do Rio de Janeiro, em Vargem Grande, o quilombo Cafundá Astrogilda acolherá cerca de 30 mulheres do Sudeste, para encontros que versam sobre justiça climática, transição energética, luta contra o desmatamento, financiamento climático, entre outros tópicos. “O Quilombo Cafundá Astrogilda se destaca pela sua forte história de resistência e pela preservação da natureza, características que o tornaram o quilombo escolhido para essa  formação. Foi observado em visitas de campo e escuta territorial que o quilombo deseja  garantir que as futuras gerações conheçam toda a história que envolve o quilombo e estabelecer uma conexão entre justiça climática e justiça racial”, conta Maria Clara Salvador, analista de educação climática, no CBJC. Particularmente, este é um dos poucos quilombos no Brasil que possuem registros materiais detalhados de sua formação e de seus fundadores, podendo ser possível recriar a sua história. É tradicionalmente um agente social ativo, tendo tido influência na política local para proteção e preservação do território nativo, exercendo um importante papel na luta pelos direitos quilombolas.

A organização do evento busca garantir a representatividade regional, com o objetivo de incluir participantes de todos os estados do Sudeste, viabilizando os custos de viagem e hospedagem. Além de gerar um impacto direto para as participantes, a formação também tem como expectativa estimular a economia local, contratando serviços de alimentação, hospedagem e atividades culturais de prestadores da região. O corpo docente  terá a missão de  conectar os conceitos discutidos com a vivência prática das comunidades quilombolas e seus desafios frente à crise climática. Ao final, as participantes terão uma compreensão mais aprofundada do debate climático global, aplicando esse conhecimento às realidades de suas comunidades e promovendo ações de enfrentamento e adaptação às mudanças climáticas.


Sobre o CBJC

O Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC) é uma organização nacional da sociedade civil dedicada às temáticas da população negra na agenda climática do Brasil. Nossa missão é ampliar o debate público e influenciar políticas públicas de justiça climática e equidade racial a nível local, regional e nacional. 

A emergência climática é uma crise de enfrentamento às desigualdades estruturais. Sabemos que o racismo é um sistema de opressão em toda a sua dimensão política e social. Portanto, discutir justiça climática é, antes de tudo, enfrentar o racismo ambiental.

Nossos principais eixos de atuação são: pesquisa e dados; educação climática; comunicação e engajamento e incidência política. 

Nossas Redes

Site | Instagram | Linkedin

Serviço

O que: 21 vagas para inscrições abertas da formação “Mulheres Quilombolas Rumo à COP 30”, para mulheres quilombolas do Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo) 

Onde: A formação acontecerá no Quilombo Cafundá Astrogilda, em Vargem Grande, na cidade do Rio de Janeiro

Quando: As formações acontecerão nos dias 02, 03, 04 de abril de 2025

Como: As inscrições podem ser feitas no link até 10/03: https://www.google.com/url?q=https://forms.gle/yF4QEwDu6aSZJC7HA&sa=D&source=docs&ust=1739990026168921&usg=AOvVaw3ftOWV31-LOjFfJhLwf7H6

As selecionadas receberão passagem e hospedagem para participar da formação. Vagas limitadas.

Quem: Mulheres quilombolas dos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, acima dos 16 anos no momento da formação,  poderão participar.

Para mais informações entre em contato com nossa assessoria de imprensa:

Danila de Jesus

Telefone e WhatsApp: (71) 99103 4578

E-mail: danila@cbjc.com.br 

Compartilhe nas mídias:

deixe seu comentário:

nossos eixos
de atuação

Nos dedicamos exclusivamente às temáticas da população negra na agenda climática do Brasil

ÚLTIMAS NOTíCIAS:

Desenvolvido por Estúdio Puri