A qualidade do ar no Rio de Janeiro acompanha a forma como a cidade foi organizada ao longo do tempo. A concentração de vias expressas, circulação de caminhões, transporte público movido a diesel, pólos industriais e longos deslocamentos diários expõe determinados territórios a níveis mais intensos de poluição atmosférica.
Quem passa horas em ônibus lotados, trabalha nas ruas como ambulantes e entregador, ou quem reside próximo a grandes complexos industriais e vias expressas convive diariamente com os impactos da má qualidade do ar, atingindo de forma mais intensa populações negras, periféricas e trabalhadores, especialmente em regiões marcadas pela desigualdade urbana e pela ausência histórica de políticas ambientais territorializadas.
É nesse contexto que o Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC) desenvolve o projeto Qualidade do Ar no Rio de Janeiro, como apoio do Breathe Cities, uma iniciativa global para limpar o ar, reduzir as emissões de carbono e melhorar a saúde pública em cidades ao redor do mundo. O projeto irá atuar em Santa Cruz, Madureira e Centro, articulando debates sobre mobilidade urbana, território, saúde pública e monitoramento atmosférico a partir das experiências concretas vividas por jovens comunicadores.
O cenário do Rio de Janeiro em dados
A iniciativa do projeto se apoia em dados epidemiológicos e socioeconômicos. No Brasil, a poluição do ar causa cerca de 50 mil mortes anuais. No município do Rio de Janeiro, a análise dos dados de mortalidade e morbidade respiratória do SUS revela um padrão explícito de desigualdade territorial e segregação socioespacial:
• Madureira: Concentrou 557 óbitos por doenças do aparelho respiratório na série histórica recente, caracterizando-se como um ponto crítico devido à alta densidade comercial e intensa convergência modal de transporte rodoviário e ferroviário.
• Santa Cruz: Aparece com 485 óbitos respiratórios, impactado diretamente pela proximidade com o Polo Industrial, pelo tráfego intenso de veículos de carga e por precariedades habitacionais.
• Centro: Contabilizou 74 óbitos, um número significativamente menor que evidencia não apenas dinâmicas habitacionais diferentes, mas também um acesso superior a serviços de saúde, especialistas e diagnóstico precoce.
Essa disparidade é agravada por uma lacuna estrutural: os bairros periféricos e de maior vulnerabilidade socioeconômica são justamente os que carecem de estações de monitoramento contínuo da qualidade do ar, gerando um ponto cego que invisibiliza o risco real enfrentado pela população.
A chegada dos Embaixadores do Ar
Para aproximar esse debate dos territórios que o projeto anuncia seus EMBAIXADORES DO AR. Foram selecionados jovens comunicadores, lideranças e articuladores que irão atuar ao longo do projeto nas discussões sobre mobilidade urbana nos territórios de Santa Cruz, Madureira e Centro.
Conheça os Embaixadores do Ar:
• Gustavo Rodrigues
• Jamilly Tainá
• Luan Cazati
• Rayane Marques
• Rebecca Angelique
Ao longo dos próximos meses, iremos compartilhar os encontros, reflexões e conteúdos produzidos pelos participantes sobre qualidade do ar, mobilidade urbana e desigualdade ambiental no Rio de Janeiro.
Além da formação sobre mobilidade urbana e qualidade do ar, o projeto também estrutura um processo de comunicação territorial voltado à produção de conteúdo, leitura crítica da cidade e circulação pública dessas discussões. A proposta é conectar os dados sobre poluição atmosférica às experiências urbanas vividas nos territórios, aproximando o debate climático do cotidiano da população.
Mudar Enquanto Há Clima