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Em comunidades rurais negras, um copo de água é uma conquista: a luta pelo acesso à água e a justiça climática

Nova cartilha do Centro de Justiça Climática revela como a escassez de água afeta comunidades negras rurais no Vale do Jequitinhonha e destaca a importância da preservação e do acesso à água para garantir a sobrevivência dessas populações.

Para muitas comunidades negras no Vale do Jequitinhonha, a água não é apenas um recurso essencial, mas um símbolo de resistência e sobrevivência. Esse cenário é detalhado na cartilha “Águas Rurais”, lançada nesta terça-feira (18/02) pelo Centro de Justiça Climática, em parceria com a rede Clímax (Mídia Ninja) e o Observatório do Jequitinhonha. A publicação aborda a luta diária dessas comunidades pelo acesso à água potável e segura, e destaca como a justiça climática se tornou uma necessidade urgente, especialmente em regiões vulneráveis diante das mudanças climáticas.

A cartilha traz dados alarmantes: apenas 32% das residências rurais no Brasil contam com abastecimento seguro de água, e 75% das moradias não dispõem de tratamento de esgoto. Essa escassez hídrica atinge de forma desigual as comunidades rurais, que dependem de nascentes e poços para sobreviver, em locais onde a infraestrutura de saneamento é praticamente inexistente.

Água e justiça climática: um desafio para comunidades negras

Além dos desafios diários com a escassez, essas comunidades enfrentam os impactos da crise climática. As secas prolongadas e as enchentes frequentes comprometem a disponibilidade de água, afetando diretamente a saúde, a produção de alimentos e a qualidade de vida no Vale do Jequitinhonha, região marcada pela presença de 584 comunidades quilombolas.

“Essas comunidades não enfrentam apenas a escassez de água, mas uma luta pela sobrevivência em um cenário cada vez mais hostil. A crise climática transforma as secas e enchentes em ameaças constantes, afetando tudo: desde a saúde até a produção de alimentos. É uma situação que exige resposta urgente, pois, para essas populações, cada gota preservada é uma vitória”, explica Joelma Gomes Ferreira, arquiteta e urbanista, pesquisadora sobre justiça climática e uma das autoras da cartilha.

Uma realidade marcada pela preservação e resistência

A cartilha destaca as práticas tradicionais de preservação da água, como o uso de poços cacimba e cisternas, que são fundamentais para a sobrevivência das comunidades em períodos de seca. “Essas práticas mostram a resiliência dessas comunidades, mas também evidenciam a ausência de políticas públicas que garantam o acesso justo à água”, aponta Andréia Coutinho, diretora do Centro de Justiça Climática.

As nascentes e pequenos corpos d’água não são apenas fontes de água, mas também de cultura e pertencimento, simbolizando a conexão ancestral dessas populações com a terra e a importância da justiça climática para proteger esses direitos básicos.

Caminhos para a justiça hídrica

Para enfrentar essa realidade, a cartilha propõe medidas que integram a preservação dos recursos hídricos e a garantia do acesso à água para as comunidades mais afetadas, incluindo:

  • Proteção de territórios tradicionais: Acesso seguro e preservação das nascentes e poços que sustentam as comunidades negras rurais.

  • Fortalecimento das práticas de manejo sustentável da água: Incentivo a sistemas tradicionais, como cisternas e poços cacimbas, adaptados ao contexto local e integrados a modelos públicos e centralizados de manejo dos recursos hídricos, incluindo tratamento de esgoto e saneamento básico, garantindo um acesso mais seguro e equitativo para as comunidades negras rurais.

  • Implementação de políticas públicas inclusivas: Integração da justiça climática com a justiça hídrica, assegurando que a água seja um direito acessível a todos.

Com uma abordagem que combina dados, histórias e saberes ancestrais, a cartilha “Águas Rurais” é um convite à reflexão sobre a importância da justiça climática no Brasil e a urgência de ações que garantam o direito à água como um direito humano e ambiental.

Acesse a cartilha e saiba mais.

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