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Quem decide o futuro do clima e quem segue ausente?

Novo dossiê do CBJC expõe a invisibilidade de afrodescendentes na governança climática e reforça: não há justiça climática sem justiça racial.

O Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC), em parceria com o Movimento Negro Unificado e o Instituto de Referência Negra Peregum lança o dossiê Reparação: um diagnóstico sobre populações negras e afrodescendentes em espaços multilaterais de governança climática. Muito além de um compilado de dados, o material desvela um projeto político de silenciamento: a exclusão deliberada da população negra dos centros de decisão que definem o futuro do planeta.

Ao analisar mais de três décadas de negociações globais, o diagnóstico revela um abismo documental. Termos fundamentais para a compreensão das desigualdades brasileiras, como “raça”, “racismo” e “afrodescendentes”, foram sistematicamente omitidos dos textos oficiais das Conferências das Partes (COPs), mesmo sendo estas as populações que operam na linha de frente dos impactos e da resistência.

O diagnóstico como ferramenta de poder

Para as lideranças do Movimento Negro Unificado (MNU), a sistematização destas informações é, acima de tudo, um ato de democratização do conhecimento e uma infraestrutura para a organização comunitária. Em prefácio assinado pela coordenação nacional, o coletivo destaca a urgência de pautar o que a tecnocracia tenta esconder:

“Este dossiê nasce da urgência de nomear o que o racismo ambiental tenta silenciar: as desigualdades estruturais que afetam a população negra. Sistematizar informações sobre a pauta racial na governança climática global é um ato de democratização do conhecimento. Este documento se oferece como uma ferramenta política que mapeia processos e resultados construídos por organizações negras que rompem com o isolamento para conquistar alternativas.” — Rosa Negra (Coordenação Nacional do MNU)

O pacto da branquitude na diplomacia

A publicação também coloca em evidência como os espaços polidos da diplomacia internacional frequentemente funcionam para manter estruturas de poder inalteradas. A análise demonstra que a reiterada negação de termos raciais nos documentos não é um esquecimento, mas uma barreira erguida contra a justiça e o bem-viver das populações racializadas.

Gisele Brito, coordenadora de Clima e Cidade do Instituto de Referência Negra Peregum, pontua na apresentação da obra a necessidade de radicalizar o enfrentamento às estruturas vigentes:

“O material reunido na publicação coloca em evidência o pacto da branquitude. A consciência de que é preciso impedir a igualdade, a justiça e os mínimos meios de bem-viver para a população racializada fica evidente pela reiterada negação da inclusão desses termos nos documentos. Definitivamente, não haverá justiça climática sem enfrentamento ao racismo ambiental.” — Gisele Brito (Instituto Peregum)

O campo de disputa pós-COP 30

O período que se inicia agora não é um ponto de chegada, mas um campo ampliado de disputa. O dossiê regista a trajetória de mulheres negras que, desde a ECO-92, pautam a reparação como fundamento da sobrevivência. Agora, o desafio é converter a presença política em transformação material, garantindo que a transição energética não repita velhos ciclos de exploração nos quilombos e periferias.

Consulte este instrumento estratégico e faça circular a pauta da reparação:

[Link para Download]

Este trabalho é fruto de uma construção coletiva entre o Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC), o Movimento Negro Unificado (MNU) e o Instituto de Referência Negra Peregum.

Não há justiça climática sem justiça racial

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