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CBJC lança dossiê inédito sobre justiça climática a partir de saberes e territórios negros no Brasil

Publicação marca um ano de atuação do Centro Brasileiro de Justiça Climática e reúne pesquisas de jovens negros de todas as regiões do país

O Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC) lança, no próximo dia 10 de junho de 2025, o dossiê “Cartografias Negras pela Justiça Climática: Cartografias negras e (in)justiças climáticas no Brasil”, no Hub Peregum, em Brasília (DF), a partir das 18h. O evento reunirá ativistas, pesquisadores, lideranças de movimentos sociais e parlamentares comprometidos com a agenda climática e antirracista.

O lançamento marca não só um ano de existência do CBJC, como também o encerramento do primeiro Programa de bolsas de pesquisa e ação territorial em justiça climática da instituição, coordenado pelo eixo de pesquisa e dados. A iniciativa apoiou oito pesquisadoras e pesquisadores negras e negros de diferentes contextos territoriais, que investigaram, de forma crítica e inovadora, os impactos das mudanças climáticas, do racismo ambiental e das desigualdades socioeconômicas nas populações negras no Brasil.



Uma ciência coletiva, territorial e decolonial

O dossiê traz uma crítica contundente ao modelo de produção científica dominante, historicamente moldado pelas estruturas coloniais e pelo apagamento de saberes ancestrais. A publicação reivindica a legitimidade de outras formas de conhecimento – locais, comunitários e ancestrais – como parte essencial da construção de soluções para a crise climática.

Para a coordenadora da área de pesquisa e dados, Taynara Gomes, “este dossiê é um convite para escutar outras vozes, reconhecer outros saberes e imaginar novas formas de fazer ciência. É uma produção que nasce do cotidiano das comunidades, das lutas por território e do enfrentamento à desigualdade”, afirma.

Ao adotar metodologias participativas como cartografia social, escuta ativa, entrevistas em profundidade, linha do tempo e árvore da memória, os pesquisadores e pesquisadoras produziram estudos que entrelaçam ciência e experiência de vida. Os temas abordados incluem segurança alimentar, saneamento, políticas públicas, manejo do fogo, racismo ambiental e religiosidade, sempre a partir das vivências locais.

Quem são os pesquisadores e pesquisadoras do dossiê

Região Norte

Arlan Seabras (Pará)
Pesquisador e ativista socioambiental nascido e criado na Amazônia Paraense. Cientista social e especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade (UFPA), atua com conflitos socioambientais, justiça climática e racismo ambiental.
🔍 Sua pesquisa no Quilombo Abacatal revelou como as mudanças climáticas e os grandes empreendimentos impactam o território. O trabalho apontou a resistência intergeracional como força motriz da luta quilombola frente à degradação e ao racismo ambiental.

Waleska Queiroz (Pará)
Engenheira sanitarista e ambiental, amazônida e moradora da periferia de Belém. É mestra em Cidades Inteligentes e Sustentáveis e co-fundadora do Observatório das Baixadas.
🔍 Sua pesquisa mapeou a relação entre saneamento, mudanças climáticas e justiça climática no bairro da Terra Firme. A cartografia social revelou a potência da mobilização comunitária diante da precariedade urbana.


Região Nordeste

Maria Beatriz Souza (Pernambuco)
Professora de geografia, ativista cultural e multiartista do Cabo de Santo Agostinho. Estudante de Geografia no IFPE, com foco em territorialidades.
🔍 Sua cartografia social reconectou saberes comunitários e femininos às questões ambientais, refletindo sobre metodologias participativas como instrumentos de transformação e pertencimento.

Josiel Alves (Paraíba/Rio Grande do Norte)
Pesquisador quilombola, comunicador e educador popular, mestre em Antropologia Social (UFRN). Atua com juventudes quilombolas, protocolos de consulta e justiça territorial.
🔍 Sua pesquisa trouxe uma visão crítica sobre os desafios comuns enfrentados por comunidades tradicionais, ao mesmo tempo em que destacou as potências e trocas entre fellows de diferentes regiões.

 

Região Centro-Oeste

Geovana Rocha (Distrito Federal)
Engenheira florestal com especialização em agroecologia e geoprocessamento, apaixonada pelo Cerrado e por seus povos.
🔍 No Assentamento Oziel Alves III, realizou uma cartografia social sobre o manejo do fogo. A pesquisa revelou a importância dos saberes locais para prevenção de incêndios e construção de soluções sustentáveis.

 

Região Sudeste

Juliana Coutinho (Rio de Janeiro)
Pesquisadora, historiadora, poeta e articuladora da Baixada Fluminense. Atua na luta contra o racismo ambiental, com ampla experiência em advocacy e mobilização comunitária.
🔍 Sua cartografia recupera memórias silenciadas de mulheres negras em territórios impactados pela ausência do Estado, mostrando como o afeto e a ancestralidade constroem resistência frente às crises climáticas.

Nataly Cavalcanti (Espírito Santo)
Socióloga, gestora cultural e pesquisadora urbana, com trajetória voltada à articulação entre memória, identidade e território.
🔍 Sua pesquisa partiu de sua vivência no próprio bairro e evidenciou o quanto o básico é negado às populações periféricas. O estudo mostrou que os conceitos acadêmicos sobre justiça climática já estão, na prática, enraizados nas experiências cotidianas dessas comunidades.

 

Região Sul

Luana Brito (Santa Catarina)
Socióloga formada pela UFSC, atua com segurança alimentar e direito humano à alimentação. Membra da TearSAN e articuladora no Mulheres Negras Decidem.
🔍 Utilizou a cartografia da memória para mapear o impacto das mudanças climáticas na soberania alimentar de comunidades negras do Sul. A pesquisa resgatou práticas alimentares e saberes ancestrais como formas de resistência climática.

 

Por que esse dossiê importa

  • Valoriza saberes negros e ancestrais como ciência legítima; 
  • Destaca o protagonismo das comunidades negras na luta climática;
  • Produz dados e narrativas para influenciar políticas públicas inclusivas; 
  •  Promove uma ciência coletiva, territorial e decolonial.

 

“Mais do que uma publicação, este dossiê representa um marco na trajetória do CBJC, que nasceu para pautar as vozes negras no centro da agenda climática brasileira. Celebrar esse lançamento em Brasília, no coração político do país, tem um peso simbólico imenso: é afirmar que nossos saberes e territórios não são marginais — são centrais na construção de soluções. Com esse trabalho, reafirmamos nosso compromisso de produzir dados e narrativas que contribuam com políticas públicas realmente inclusivas, e posicionamos o CBJC como uma organização nacional que fomenta o conhecimento popular, racializado e profundamente comprometido com a justiça climática”, afirma Andreia Coutinho, diretora executiva do CBJC.

A versão digital do dossiê está disponível para download gratuito.

 

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