Por Danila de Jesus
Cerimônia na Embaixada da Alemanha marca o reconhecimento internacional entre os 14 laureados globais da edição de 2025
No dia 5 de fevereiro, a Embaixada da Alemanha em Brasília foi palco de um dia histórico: o reconhecimento internacional estratégico de uma mulher negra para a agenda ambiental brasileira. A jornalista Andréia Coutinho Louback, diretora-executiva do Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC), recebeu o Prêmio Franco-Alemão de Direitos Humanos e do Estado de Direito, edição de 2025. Única representante do Brasil entre os 14 laureados globais desta edição, Andréia se junta a nomes históricos como Maria da Penha (2016) e Djamila Ribeiro (2022).
A premiação criada em 2016 pelos governos da França e da Alemanha, reconhece defensoras e defensores dos direitos humanos que atuam na linha de frente da democracia e do Estado de Direito em diferentes partes do mundo. Esta edição reafirma a centralidade da justiça climática como tema estratégico para a proteção dos direitos humanos, especialmente no Sul Global.
Para a embaixadora da Alemanha no Brasil, Bettina Cadenbach, a relevância do reconhecimento e a presença brasileira entre os laureados são celebrações de honra para a Alemanha e a França. Nesta edição, entre as 14 condecorações, dez são mulheres, sendo Andréia Coutinho Louback a única representante brasileira.

“Cada política pública conquistada, cada vida protegida, cada história que se recusa ao apagamento é prova dessa combinação coletiva pela sobrevivência — e mais do que isso, pela dignidade. Porque não há democracia possível enquanto direitos forem seletivos. Não há paz verdadeira enquanto alguns corpos forem massacrados e violentados. E enquanto houver racismo, não haverá democracia, como diz o lema da Coalizão Negra por Direitos”, declara Andréia Louback.
A honraria valida a atuação do CBJC, organização que lidera o debate sobre a centralidade da população negra na agenda climática e a urgência de políticas públicas que combatam o racismo ambiental.

A fala da deputada federal Érika Hilton, durante a cerimônia, deu nome e sentido político ao reconhecimento recebido por Andréia. Ao afirmar que “mulheres negras estão sendo a força motriz e matriz da revolução do mundo”, Érika desloca o prêmio do campo da homenagem individual para o reconhecimento de um papel histórico e coletivo: o de mulheres negras que, mesmo nas margens, sustentam transformações profundas nas agendas de direitos humanos, justiça climática e democracia. Ao celebrar Andréia, a fala evidencia que sua trajetória não é exceção, mas expressão de uma força política que nasce do território, enfrenta o apagamento e insiste em reorganizar o mundo a partir de outras referências de justiça, cuidado e vida.

Justiça climática e equidade racial
Idealizado e liderado por Andréia, o CBJC (Centro Brasileiro de Justiça Climática) é uma organização nacional da sociedade civil que atua para romper com a neutralidade do debate ambiental, evidenciando que não existe justiça climática sem justiça racial. O Centro tem sido fundamental para pautar a preservação dos territórios tradicionais e modos de vida da população negra como pilares para o combate ao racismo ambiental.
O significado do prêmio
Concedido anualmente pelas embaixadas da França e da Alemanha, o Prêmio Franco-Alemão de Direitos Humanos e do Estado de Direito busca dar visibilidade e proteção internacional a pessoas que atuam na defesa da dignidade humana. Para os governos dos dois países, a trajetória de Andréia Coutinho Louback exemplifica coragem, liderança e compromisso com a democracia, especialmente em contextos marcados por desigualdades estruturais.
Em um cenário de crescente violência contra defensoras e defensores ambientais no Brasil, a premiação representa também um mecanismo de salvaguarda internacional e fortalecimento da agenda de justiça climática e equidade racial no país.