FIQUE POR DENTRO

MUDAR ENQUANTO
HÁ CLIMA

Quilombo do Cumbe inspira cartilha sobre justiça climática e ancestralidade

Cartilha do CBJC reúne saberes e resistência de comunidade quilombola no Ceará, ameaçada por empreendimentos predatórios e racismo ambiental.

Foto: Flávia Almeida

O Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC), em parceria com o Quilombo do Cumbe (Aracati-CE) e o Aurora Lab, lançou a cartilha Se não agora, quando? Se não nós, quem seria? Quilombolas do Cumbe na confluência dos sonhos. A publicação é um convite à escuta e à ação coletiva, reunindo experiências, desenhos, afetos e saberes dos moradores das 102 famílias quilombolas que atuam em torno da defesa do território, modos de vida e da justiça climática.

Com ilustrações produzidas pelos próprios quilombolas e reflexões baseadas em vivências no território, a cartilha registra a resistência cotidiana da comunidade frente ao avanço de projetos de transição energética excludentes, como a instalação de 67 aerogeradores e fazendas de carcinicultura (criação de camarões em cativeiro) sobre dunas, manguezais e áreas pesqueiras. 

Esses empreendimentos ameaçam o ecossistema local e as práticas tradicionais de pesca artesanal e mariscagem — pilares da soberania alimentar e da cultura quilombola.

Do lado leste, aerogeradores ocupam as dunas. Do lado oeste, tanques de camarão degradam os mangues. Essas atividades comprometem o meio ambiente, a saúde e o modo de vida da comunidade.

Em resposta, os quilombolas fundaram, em 2003, a Associação Quilombola do Cumbe, um espaço de articulação política, cultural e ambiental. Desde então, iniciativas como trilhas ecológicas, passeios de barco e atividades culturais têm fortalecido a identidade quilombola e reafirmado o protagonismo da comunidade na defesa de seu território.

“A história do Cumbe não é sobre perdas, é sobre conquistas. Cada luta é um ato de amor pelo território, pela vida e pelo futuro. Eles nos ensinam que o bem viver é uma escolha coletiva, que só é possível com justiça climática e equidade racial”, afirma Taynara Gomes, coordenadora de pesquisa e dados do CBJC.

 

Por que essa história precisa ser contada?

Reconhecido pela Fundação Cultural Palmares desde 2014, o Quilombo do Cumbe abriga cerca de 800 pessoas que vivem da pesca, agricultura familiar, mariscagem e turismo comunitário. Localizado entre o rio Jaguaribe e as dunas do litoral leste do Ceará, o Cumbe abriga mais de 11 hectares de manguezal, um dos maiores remanescentes do estado — patrimônio ambiental e cultural em constante risco.

Nos últimos anos, o território tem sido pressionado por projetos econômicos que desconsideram os direitos das comunidades tradicionais. O processo é marcado pelo racismo ambiental, incluindo a destruição de espaços sagrados como o cemitério centenário da comunidade.

📌 Impacto humano – Os quilombolas enfrentam modelos predatórios de desenvolvimento que ameaçam vidas, modos de vida e direitos territoriais.

📌 Resistência em ação – A cartilha mostra como práticas culturais e ancestrais são também estratégias contemporâneas de preservação e inovação.

📌 Lição universal – O Cumbe é um microcosmo que conecta desafios locais a debates globais, inspirando novos caminhos para a justiça climática.

 

Um quilombo vivo entre o mangue, o mar e os ventos

Reconhecido pela Fundação Cultural Palmares desde 2014, o Quilombo do Cumbe abriga cerca de 800 pessoas que vivem da pesca, agricultura familiar, mariscagem e turismo comunitário. Localizado entre o rio Jaguaribe e as dunas do litoral leste do Ceará, o Cumbe abriga mais de 11 hectares de manguezal, um dos maiores remanescentes do estado — patrimônio ambiental e cultural em constante risco.

Nos últimos anos, o território tem sido pressionado por projetos econômicos que desconsideram os direitos das comunidades tradicionais. O processo é marcado pelo racismo ambiental, incluindo a destruição de espaços sagrados como o cemitério centenário da comunidade.

 

Educação, memória e cuidado como resistência

A cartilha destaca o papel da educação quilombola, dos afetos comunitários e da memória ancestral como pilares da resistência. Com referências a pensadores como Beatriz Nascimento, Bell Hooks, Nego Bispo e Ailton Krenak, os textos articulam pensamento crítico, espiritualidade e ação política.

Os desenhos feitos por crianças e jovens do quilombo protagonizam a publicação, ilustrando visões de um futuro pautado na justiça ambiental, na saúde coletiva e na autonomia.

“Cada traço é um gesto político de pertença e imaginação. Cada cor representa a vitalidade de uma luta que não é só contra o apagamento, mas pela existência em plenitude”, diz trecho da publicação.


📖 Acesse a cartilha

Download gratuito: Se não agora, quando? Se não nós, quem seria?

📷 Fotos e ilustrações disponíveis para uso jornalístico, mediante solicitação.

Link: Imagens_Cartilha_Transição
Fotos: Flávia Almeida
Ilustrações: Luiza Ribeiro

 

 

Compartilhe nas mídias:

deixe seu comentário:

nossos eixos
de atuação

Nos dedicamos exclusivamente às temáticas da população negra na agenda climática do Brasil

ÚLTIMAS NOTíCIAS:

Desenvolvido por Estúdio Puri